Sexta fase 'Xeque-Mate' investiga esquema de corrupção em mandatos de vereadores, em Cabedelo, PB46415

Vereadores recebiam dinheiro do então prefeito para manter uma base que favorecesse Leto Viana. Quatro vereadores investigados foram afastados dos cargos.

Prefeito de Cabedelo (PB), Leto Viana, foi encaminhado à sede da Polícia Federal, na Paraíba — Foto: Walter Paparazzo/G1

A sexta fase da Operação Xeque-Mate foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público e Controladoria-Geral da União (CGU-PB). São cumpridos oito mandados de busca e apreensão para investigar o comércio de mandatos eletivos de quatro vereadores de Cabedelo, na Grande João Pessoa.

Conforme a Polícia Federal, a mercantilização dos mandatos estaria acontecendo com recursos oriundos do superfaturamento do contrato de lixo de Cabedelo. Os quatro vereadores foram afastados dos cargos por determinação judicial.

A operação contou com a participação de vinte policiais federais e quatro auditores da CGU, que cumpriram os mandatos nas residências dos vereadores investigados.

De acordo com a investigação, quatro candidatos do cargo de vereador nas eleições de 2016, em Cabedelo, receberam do então prefeito da cidade, Leto Viana, o valor de R$ 200 mil para compor o grupo de sustentação política no parlamento (legislatura de 2017 a 2020). Conforme o Ministério Público, os vereadores assumiam o compromisso de satisfazer os interesses pessoais de Leto Viana e Roberto Santiago.

Seis envolvidos no esquema foram denunciados pelo Ministério Público nesta sexta fase da Operação Xeque-Mate: Leto Viana, Roberto Santiago, Benone Bernardo da Silva, Jonas Pequeno dos Santos, Janderson Bizerril de Brito e Josimar de Lima Silva.

Fases anteriores

primeira fase da Xeque-Mate foi deflagrada em abril de 2018, com objetivo de desarticular um esquema de corrupção na administração pública do município de Cabedelo, localizado na região da Grande João Pessoa. A operação moveu algumas peças na gestão da cidade e modificou, rapidamente, a administração da cidade. A Polícia Federal cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 15 sequestros de imóveis e 36 de mandados busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.

Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em João Pessoa e Cabedelo, durante a segunda fase da Operação Xeque-Mate, em julho de 2018. De acordo com a Polícia Federal, foi realizado o sequestro de aplicações e ativos financeiros no valor de mais de R$ 3 milhões.

Na terceira fase, o empresário Roberto Santiago foi preso, março de 2019, em um cumprimento de mandado de prisão preventiva. Ele é acusado de participar do esquema de corrupção e fraudes licitatórias no município de Cabedelo, Região Metropolitana de João Pessoa. Ele foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica em julho.

Na quarta fase da Operação Xeque-Mate, que aconteceu em maio de 2019, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos, em João Pessoa, na sede do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), e Campina Grande. Nesta fase, a operação apurou a possível cooptação do conselheiro do TCE, Fernando Catão, para, em benefício do empresário Roberto Santiago, preso na terceira fase da Xeque-Mate, impedir a construção do Shopping Pátio Intermares, no município de Cabedelo.

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos no dia 8 de outubro, na Paraíba, na quinta fase da Operação Xeque-Mate, comandada pelo delegado federal Fabiano Emílio. Um dos alvos da operação foi a empresa Almed, suspeita de fraudar licitações em todo estado. O ex-deputado federal André Amaral Filho, e o pai dele, André Amaral, também são alvos dos mandados, cumpridos, pelo menos, nos bairros de Manaíra e Miramar, em João Pessoa, nas residências dos investigados e em empresas contratadas pela Prefeitura de Cabedelo.

Fonte: Redação do Vale do Piancó Notícias com G1